BLOG, CARA.
7.26.2003
 
Quando alguém disse que a hist?ria se repete, o complemento veio logo a seguir: Como farsa. Deve ser verdade mesmo, afinal este tal George Bush bem que parece uma vers?o piada-sem-graça de Richard Nixon, aquele que mandava despejar uma tonelada de dinamite por minuto no Vietn?. Sendo assim, os pr?ximos anos devem ser uma época de ouro para o cinema americano, que poder? enfim sepultar a era Spielberg-Lucas e voltar a fazer filmes inteligentes, coisa que hoje por l? s? se vê no cen?rio independente, com raras excess?es. Digo isso porque o fracasso americano na guerra contra um dos pa?ses mais atrasados do mundo, e os pr?prios motivos que levaranm o pa?s a ela, seguidos pelo escândalo de Watergate despertaram a consciência americana para o fato de que a podrid?o estava bem mais perto do que se pensava, o que refletiu em filmes como O Poderoso Chef?o, que mostra como o crime pode aproveitar-se dos eficazes métodos protestantes/capitalistas e O Exorcista, onde o mal infiltra-se até na pureza de uma criança. Outro grande produto desta época é este Três Dias do Condor, dirigido pelo sempre competente Sydney Pollack e estrelado por dois dos maiores astros da época: Robert Redford e Faye Dunaway.

Redford é Joseph Turner, o condor, funcion?rio de escrit?rio da CIA cuja funç?o é ler compulsivamente tudo o que é publicado em qualquer pa?s que seja, procurando ind?cios de qualquer coisa que possa interessar a agência. Ele descobre algo grande, embora n?o esteja bem certo do que seja. Informa seus superiores em Washington disso e sai para almoçar, mas quando retorna todos os seus colegas burocratas est?o mortos, baleados. Achando que aquilo foi obra de alguém de fora, ele sai de l? e liga de uma cabine telefônica para o chefe da agência em Nova Yorque, Higgins. Se este fosse um filme dos anos quarenta ou cinquenta, obviamente os assassinos seriam alem?es, ou russos, ou qualquer coisa que o valha. Mas na amerika de Nixon e Kissinger, quem acabou com os barnabés da CIA foi a pr?pria CIA, estando inclusive Higgins atolado até o pescoço na lama.

Depois que Turner vê um de seus amigos, também agente, ser assassinado pelo pessoal da agência, no que deveria ser um encontro para resgat?-lo, percebe que ele, o condor, é o pr?ximo da lista. Turner sabe demais e sua ?nica sa?da é descobrir tudo, o que ele começa a fazer depois de sequestrar uma fr?gil fot?grafa, interpretada por Faye Dunaway que acaba por ajud?-lo e também acaba apaixonando-se por ele. Absurdo para alguns, mas isto de a v?tima sentir-se afetivamente ligada ao seu raptor é mais comum do que parece, e tem até nome em psicologia: S?ndrome de Estocolmo. Claro que o fato do sequestrador ser Robert Redford torna a coisa um pouco mais plaus?vel.

A resposta do enigma, Turner descobre, é petr?leo. J? naquela época o governo americano n?o tinha muitos escr?pulos nas quest?es relacionadas ao ouro negro. No fim do filme Turner e Higgins encontram-se. O condor diz que j? contou tudo à imprensa. Higgins: E você acha que eles v?o publicar? A resposta de Turner: Claro que v?o. Iriam, em 75? Iriam, hoje?





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